quarta-feira, janeiro 14, 2015

Uma semana depois de mais um ataque à nossa Humanidade


o Liberation ofereceu a redacção para que hoje o Charlie Hebdo Officiel estivesse nas bancas.
3 milhões de cópias que desapareceram antes do sol nascer.

capas de LIBERATION e CHARLIE HEBDO
14 Janeiro 2015capas de LIBERATION e CHARLIE HEBDO 14 Janeiro 2015

Durante esta semana a emoção juntou-nos a todos, um pouco por todo o mundo.
Fomos confrontados com aquilo que o ódio - neste caso religioso - pode fazer, e reagimos com a presença nas ruas, nas redes sociais, com a reprovação e com a solidariedade.
Fomos todos Charlie.
Mas durante esta semana, fomos também confrontados com aquilo que verdadeiramente nos divide, e ajuda à proliferação deste ódio.
Eu senti-me invadida pela hipocrisia dos mandantes, que marcham sozinhos contra o terrorismo e na defesa da liberdade, mas que eles próprios são responsáveis por várias mortes em ataques "militares". Os mesmos mandantes que pressionam países a "entrar nos eixos", para que a economia se comporte sempre a favor dos mesmos. Os mesmos mandantes que agora vão aproveitar este momento, e o medo a ele associado, para nos privar de mais um ou outro direito, no objectivo de tornar o nosso mundo mais seguro, com medidas que lhes permitem espiar a nossa intimidade, e controlar - cada vez mais de uma forma pouco concreta e quase aleatória - os movimentos da cada vez mais cidadãos.
Eu senti-me triste na forma como rapidamente o todo é julgado pela parte, ou como "eles também abusavam!" é dito para justificar, o injustificável. Tudo sem reflexão ou contextualização dos momentos, acções e acontecimentos, que nos têm encaminhado para aqui.
Eu senti-me desiludida comigo, connosco, que rapidamente e de uma forma profunda, sentimos este ataque terrorista como "nosso", como algo tão terrível e hediondo - que é! - mas nos esquecemos de sentir o mesmo, quando todos os dias, continuam a morrer pessoas em circunstancias idênticas, em ataques em nome de divindades, entidades, "causas justas". Mortas por homens ou drones, o terrorismo "legal" e ilegal, continua a fazer vitimas todos os dias.

Tal como o 11 de Setembro, que originou um recuo na nossa capacidade de sermos realmente Humanidade, num sentido cada vez mais uno e unido, o que mais me revolta e entristece, neste ataque ao Charlie Hebdo, é pensar que isso vai voltar a acontecer, e que lá vamos nós andar um pouquinho mais para trás.

sábado, fevereiro 15, 2014

AS NOSSAS PESSOAS

"... E há, digamos, dez pessoas de quem gosto, dez pessoas sobre quem não me enganei, e dez pessoas é um mundo".
Pedro Mexia, sobre os 40 anos

Hoje, numa boa conversa, com algum sol, rio e verde como companhia, falou-se das "nossas pessoas".
De como são importantes, de como nos trazem um contexto e nos completam um quotidiano.
Eu não sei bem quantas são "as minhas pessoas", mas reconheço a sua importância vital na minha vida.
São família e amigos. São pessoas que me viram crescer e outras que apenas me viram amadurecer, mas as minhas pessoas permitem-me ter menos medo, permitem-me viver a vida com a certeza que a sua presença trará amparo nos buracos profundos que este caminho a que chamamos vida, tantas vezes nos põe pela frente.
As minhas pessoas acompanham-me no riso, nas alegrias, na partilha, nas chatices e nas tristezas. E sabe-las lá, à distancia de um telefonema, de uma pequena viagem, traz um conforto que nem sempre paro para apreciar.
Hoje, numa boa conversa, parei para apreciar as minhas pessoas.

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

MATERNIDADE

I know why I wanted to grow up! I wanted to be a dad! Peter Pan, in Hook 

Textos, discussões, pensamentos, verdades, mentiras, do's and dont's. Todos os dias, a toda a hora, num qualquer canto do mundo alguém está a falar da parentalidade.
Como muitos, também eu li muitas coisas - ainda hoje vou espreitando aqui e ali - fui falando com quem já tinha filhos, vou "discutindo" com os outros pais as regras para uma "boa educação".
Tudo isso me faz sentido e me ajuda a pensar na mãe que sou e que quero ser.
8 anos de maternidade, concluídos no passado dia 5, equivalem a lições diárias, sobre mim, sobre os outros, sobre ser criança, sobre o amor, sobre como amar, sobre como o que fazemos impacta nos que nos rodeiam.
Eu não decidi crescer para ser mãe. Cresci depois de ser mãe.
Não é um processo automático, não foi uma luz que se acendeu de um momento para o outro. Foi, é, um caminho que se percorre todos os dias. Tal como o amor. Também o amor não teve logo a dimensão que tem hoje. Foi crescendo a cada quilo, a cada centímetro, a cada graça, a cada susto, a cada nova conquista, foi aumentando, criando raízes, todos os dias um pouco mais. E continua a crescer, continua a modificar-se, a tornar-se cada vez mais, parte daquilo que sou.
Para além de todas as coisas que sou, e que eventualmente, ainda serei, sou Mãe. Ser mãe é algo que se funde em nós.
E ser mãe é dificil, dá medo, faz pensar, faz olhar para dentro e ver o nosso pior lado.
Mas quando se olha para um filho e se é feliz por cada desenho torto, por cada risada, por cada palavra lida ou escrita, por cada resposta "espertinha" ou pela birra "inteligente", o medo vale a pena enfrentar, as dificuldades superam-se e o nosso pior tem que ser melhorado.
E EU GOSTO DE SER MÃE!






quinta-feira, janeiro 30, 2014

Uma nova identidade

pois ... aqui o sitio tem uma nova identidade.
O/A kuala (coala, whatever) já não é mais!

Daqui para a frente sente-se, fala-se de sentimentos, emoções, coração e intuição. Com mais ou menos filtros, com menos ou mais auto-censura. Mas o trivial, o mundano, o quotidiano e as questões do mundo (sociais, politicas, o que for) ficam para o outro sitio online, aquele onde tudo se passa ... sim, o FB.
Aqui conta o sentir ... !everything else is secondary!


terça-feira, dezembro 18, 2012

III


... As noticias que o esperavam nas folhas do jornal não lhe interessavam particularmente. Muitas delas causavam-lhe a sensação de que o mundo estava virado ao contrário e que caminhavam, ele e o resto da sociedade, para um ponto de desconexão total entre as pessoas e que o superficial era, cada vez mais, o que mais movia as relações humanas. Mesmo assim, consumia, todos os dias, aqueles minutos na leitura de textos que pouco contribuíam para o seu dia.
Durante as horas que passava no escritório, José alternava os seus movimentos entre um trabalho árduo e com afinco, e o perder-se na conversa de circunstancia e navegar no mundo virtual, onde não procurava nada em concreto. 
Ninguém lhe conhecia a vida, o passado, o presente, ou o que programava para o futuro, mas nenhum dos colegas o achava uma pessoa estranha ou afastada das interacções usuais de um grupo onde o convívio é diário. Participava das conversas, era atento aos outros e não se esquecia das datas importantes. Sabia que o colega dos Recursos Humanos andava sem saber o que fazer com o filho mais velho que tinha passado a detestar a escola. Sabia que a mãe do Manuel – colega que se sentava três secretárias atrás da dele – estava internada com uma baixa contagem de plaquetas e que os médicos ainda não tinham encontrado justificação para tal. Sabia que a Inês, menina de 8 anos, filha de um casal de colegas, ia receber um cachorro para o seu aniversário e até tinha dado algumas sugestões de nomes para o bicho.
Às segunda feiras falava do fim de semana, como quem fala de uma entidade superior, porque se alguém, analisasse o seu lado da conversa com os colegas, perceberia que do seu fim de semana, José não tinha, de facto, falado. Nenhuma luz sobre como passara aquelas 48 horas de intervalo tinha sido lançada para a conversa matinal. Mas de alguma forma, por alguma razão – talvez pela tal superficialidade nas relações modernas, que as noticias diárias deixam transparecer – nunca nenhum dos seus colegas se tinha interrogado sobre este “mistério”.
O regresso a casa, o serão, o final de dia, obedeciam a regras completamente diferentes das matinais. O caminho de volta, tinha sempre pequenas nuances de trajectória, os movimentos eram aleatórios, assim como as tarefas a cumprir. Umas vezes era a fome que comandava o que fazer – parar num pequeno restaurante e comer – outras era a urgência de sair deste mundo – com a presença numa sessão de cinema ou peça de teatro – ainda havia aquelas momentos em que a vontade era desligar, chegar a casa e entrar directamente nos lençóis, muitas vezes sem tirar a roupa do corpo, noutras ainda, embora que raras vezes, a vontade de estar com o mundo em volta, na solidão dos pensamentos levava-o à beira do mar. ...

quarta-feira, novembro 21, 2012

Palavras e pensamentos amadurecidos! ou talvez não! A GREVE GERAL DE 14N E MAIS


Vincent Mancini: Don Lucchesi, you are a man of finance and politics. These things I don't understand. 
Don Lucchesi: You understand guns? 
Vincent Mancini: Yes. 
Don Lucchesi: Finance is a gun. Politics is knowing when to pull the trigger. 
The Godfather: Part III








Uma semana depois, e os acontecimentos de 14 de Novembro ainda estão às voltas no meu pensamento. Já andavam a crise, a austeridade, os cortes, a luta para mudar o estado das coisas, o "tudo isto" que cada vez menos sentido me faz (ou cada vez melhor fica explicado!!), mas com o desfecho do 14N, mais tudo isto me revolve o interior.Ouvi e li opiniões. Dei os meu argumentos e recebi os contra-argumentos. 
Por mais voltas que dê, há uns cenários, umas questões, que não consigo abandonar.

AS PEDRAS
Sim, as pedras foram atiradas e fizeram pouco sentido. As imagens de um grupo de putos a esgaravatar a terra para soltar mais umas quantas pedras, é triste e faz-me lembrar os bandos de animais famintos que furam tudo à procura de um pequeno alimento. As pedras não tiveram sentido e são violência sem consequências. Mas para quem desespera e quer ver mudanças, as pedras poderiam ter sido a oportunidade de subir as escadarias. A oportunidade de criar um movimento de grande significado politico. Não foram, e tiveram o efeito contrário. As pedras parecem ter tirado a razão de quem luta, e grita, e exige mudanças. E quem souber, e SABEM, aproveitar as pedras, vai fazê-lo. Já o fez - logo nos minutos seguintes à carga - continua a fazê-lo, e tão cedo as pedras não deixarão de ser AS PEDRAS. Eu até diria que as pedras foram logo aproveitadas - quase duas horas de lançamento da pedra chega a ser cartoon - mas ...As pedras transformaram quem lá estava - até nos olhos de quem deveria ver um pouco mais longe (...afastei-me/fui-me embora porque não concordava com o que se estava a passar ... tentei que as pedras parassem, mas como não consegui, fui embora ...) - em cúmplices da violência, em tontinhos (que não perceberam o que lhe esperava) ou em voyeurs. E no fim de tudo, as pedras serviram para que nos andássemos todos a apedrejar - entre amigos, aqui no FB, na comunicação social, nos cafés, etc - e perdêssemos o foco de quem anda a violentar pessoas, povos e nações.
Mas uma coisa me consola! As pedras serviram para que a Frau Merkel - que teve uma recepção de um povo tão simpático e ordeiro - fique um pouco mais atenta, e possa prever que "Afinal os tugas tb têm nariz e a mostarda à vezes chega lá"
... E das PEDRAS não falo mais.

A CARGA POLICIAL
Tanta coisa mal, tanta coisa má!!! 
Não percebo nada de tácticas policiais, militares, de guerrilha, ou tudo junto numa táctica só, mas custa-me a acreditar que coisa tivesse que ter sido feita assim. 
Custa-me a acreditar que a policia - o corpo de intervenção - não conseguisse apanhar os elementos que causavam os distúrbios sem grandes danos colaterais. Custa-me a acreditar que para terminar com os distúrbios e esvaziar a praça, fosse preciso correr a malta à cacetada. 
Custa-me a acreditar, que para acabar com a manifestação fosse preciso perseguir pessoas pelas ruas perto. 
Custa-me a acreditar, que para repor a ordem fosse preciso voltar a carregar (com a costumeira cacetada), já a meio da D. Carlos, manifestantes que calmamente - tirando os insultos - desciam a rua e se conformavam com a sua expulsão.
Custa-me a acreditar que tudo isto tenha sido inocente, e que as consequências e actos não tenham sido previstos.
Não me custa a acreditar, mas revolta-me, que as declarações publicas tenham sido o que foram! O PM às 21h00 não tinha visto imagens!?!? Não podia comentar?!? O PR a mesma merda?!?! Os nossos representantes políticos - ou se fazem de parvos e não tocam no assunto - ou elogiam as forças policiais?!?! 
Eu também elogio as nossas forças policiais, mas CONDENO EM ABSOLUTO a carga policial de dia 14.
Resultado: Mais divisão entre os portugueses, mais distracção do que é realmente importante, e medo!! Medo da próxima manifestação, medo das ruas, de gritar descontentamento!!!

O AVISO
O tal aviso que serve de desculpa para tudo! O tal aviso que mete todos no mesmo saco e desresponsabiliza a violência indiscriminada da policia!
O tal aviso foi feito! OS TAIS avisos foram feitos!! certo!!
E aquela coisa de que se uma árvore cai numa floresta e não está lá ninguém, fez ou não barulho?!?! É que se ninguém - quase ninguém, numa praça cheia de gente - ouviu o aviso, ELE NÃO EXISTIU!!! 
Os avisos, feitos de um megafone de pilhas (quando há tanta coisa que faz mais barulho - olha, o sistema de som da CGTP - que a tecnologia já "inventou"), das duas, uma, ou também não são uma jogada inocente, ou são uma incompetência, que se não tivesse a ser utilizada da forma que está, até tinha graça e podia estar no Bartoon!!!

A GREVE GERAL
A greve geral pode até ter sido bem sucedida, pode ter tido adesões históricas, mas no momento que a Europa atravessa, no contexto de uma greve geral comum a vários países, fazer o do costume, repetir a formula ja usada milhares de vezes, é treta!!! Acham que os acontecimentos da assembleia assombram a greve?!?! Treta!! Acaba o discurso do Arménio e a greve tinha morrido!!! Às 11h00 da manhã, a Gran Via estava cheia, as lojas não abriram, ou tiveram de fechar e nós fazemos uma "passeata" que acaba com mais um discurso em frente à Assembleia?!?! 

A CGTP
Na linha do que disse sobre a greve, vem o meu pensamento sobre a CGTP (que já tinha nascido na Manif da Praça do Comercio). Dá para mudarem de paradigmas?!?!? Aquilo que combatemos, que queremos travar é bem mais GORDO e GANANCIOSO que um mero patrão!!! Tinham a força de milhares de pessoas descontentes e o que fizeram?!? O mesmo do costume - encheram camionetas para a passeata e discurso e depois cavaram todos!!! - cavaram que os autocarros estão à espera! Cavaram para não serem conotados com nada que possa estar fora do que ela organizaram!!! Cavaram e deixaram milhares de pessoas que querem GRITAR o seu descontentamento, que querem FAZER algo para mudar o estado das coisas, entregues a si próprias (muitas nunca foram a manifestações, não têm cultura politica de protesto, querem fazer e não sabem bem como) e misturadas com um bando de ... lá ia eu falar das pedras ...E depois, depois da carga, onde estão os discursos de repudio ao que aconteceu?!?! onde estão?!?!

Comecei este meu rol, com uma citação de um dialogo do Padrinho III, que vi no Publico. 
Acho que diz muito!!!


Espero que consigamos voltar a olhar todos para o objectivo comum!
Espero que a táctica de distracção e desinformação só tenha resultado por breves instantes!!!
Espero que as pessoas inocentes que foram agredidas e presas (privados de direitos que já não podem voltar a ser retirados!!!) não tenham sido apenas um pequeno acontecimento no caminho de domesticação de todos nós!!!

quarta-feira, outubro 17, 2012



... O primeiro gesto, ao entrar na divisão, era ligar o pequeno rádio de pilhas que vivia junto aos shampoo e gel de banho. Longe o suficiente para não ser atacado pelas gotas de agua furtivas, mas perto, perto para que as noticias do mundo habitado chegassem rapidamente, e que os acordes das musicas matinais expulsassem o silencio. O banho, sempre de água fria, era fundamental para que ele saísse do mundo de Orfeu Longo e lento, era onde ele mais se demorava de manhã. Entre pensamentos profundos e filosóficos sobre o estado das coisas, e a sua condição enquanto ser, ou pequenos pensamentos mundanos; “não me posso esquecer de ir ao café pagar a água que fiquei a dever”, “se não paro na mercearia logo à tarde, amanha não tenho açúcar ao pequeno-almoço”. Saía do duche como que renascido, e a a partir daí parecia um novo homem. Voltava a ter nome, memórias, objectivos ... voltava a ter vida.
... Agora, de regresso ao quarto, com o som do rádio mais alto, ia vestir-se. Começava por olhar para o armário – no dia anterior, todas as peças de roupa lhe pareciam iguais e era incapaz de olhar para elas e fazer uma escolha – e, de repente, como se uma luz se acendesse no seu cérebro dirigia-se à roupa e rapidamente tinha o que iria vestir, em cima da cama. Estranhamente, e às vezes pensava nisso – sobretudo ao adormecer – nunca demorava mais ou menos minutos neste ritual. A escolha nunca demorava mais tempo a ser feita do que no dia anterior, nunca se tinha deparado com uma indecisão tal, que levasse a que, nesse dia, o botão do elevador fosse premido às 8h05 e não às 8h01, como sempre acontecia. Quando pensava sobre isto, achava que a única explicação era a escolha já estar feita. Inconscientemente o seu cérebro já tinha decidido – algures durante o dia ou durante a noite de sono – quais as peças que as suas mão iriam retirar do armário na manhã seguinte, mas como que fazendo uma brincadeira, nunca lhe revelava esta escolha, senão, depois de estar aqueles momentos em frente ao enorme armário com todas as portas abertas. Vestia-se com todo o cuidado e sempre na mesma ordem, mas era uma tarefa que o entediava e por isso a sua cabeça viajava naquele momento. Voltava à férias de sol do verão anterior, ou então ao souffle de chocolate que tinha comido de sobremesa no jantar de aniversário da Amélia. Voltava a viver momentos bons da sua vida.
José saía do prédio com a pressa de quem perdeu a hora, mas nunca saía atrasado de casa. Na verdade, sabia que antes de entrar no grande complexo de empresas, ainda teria tempo de parar o carro num pequeno café escondido e sentar-se calmamente a ler o jornal, enquanto bebia o chá verde que a Sra. Teresa já tinha à sua espera quando ele entrava pela porta. ...

quinta-feira, outubro 11, 2012


... O quarto era pequeno e embora virado para a rua principal, o silêncio reinava.
A cama, de casal, de uma dessas lojas de moveis baratos e pouco pessoais, estava encostada a uma das paredes laterais. Por baixo da janela, todas as manhãs o sol, que ia entrando devagar, como que tímido e pedindo autorização, era o seu despertador favorito. O outro, o electrónico e barulhento, tocaria um pouco mais tarde, quando ele já estivesse entre cá e lá. Ainda nos sonhos da noite anterior, mas já a rever tudo o que o dia lhe iria trazer.
Todos os dias acordava com a sensação de solidão absoluta, como se o mundo se tivesse evaporado enquanto dormia e apenas restasse ele. Só, o único, numa imensidão de ruas e casas desabitadas. Atribuía este sentimento ao silencio em que o quarto estava imerso, mas lá no fundo, quando pensava um pouco mais sobre isso, sabia que a solidão era, de facto sua companheira. Vivia dentro dele.
Gestos repetidos milimetricamente preenchiam as manhãs. Como que com um cronometro pendurado ao pescoço, as tarefas começavam e terminavam sempre com os ponteiros do relógio exactamente na mesma posição. Para si, porque falar alto era um sinal evidente de loucura, costumava brincar com esta repetição. “o shampoo das 6h43 fica feliz de estar primeiro que a pasta de dentes das 7h32”,  “o botão do elevador das 8h01, acha que é o rei da casa, pois encerra o ritual”
Ao sair da cama a sensação de isolamento ia desvanecendo, devagar, mas a agua do duche encarregar-se-ia de atirar para o cano o que restava da ilusão de um mundo vazio de almas. Ao lado da cama, no chão, o tapete felpudo, vermelho fogo, dava os bons dias ao pés descansados de muitas horas sem carregar e transportar para todo o lado aquele corpo, que agora se erguia. A casa de banho do quarto era a jóia da coroa do apartamento. Alias, tinha sido por causa daquela casa de banho que ele tinha decidido assumir o compromisso de ter aquele espaço como seu. Grande, com azulejos verde-agua e banhada de luz, tinha tudo o que ele apreciava naquelas divisões. Uma banheira grande, mesmo por baixo da janela. Recantos embutidos na parede, que substituíam a necessidade de armários. Uma das paredes forrada a espelho, e um lavatório new design, que fazia parte de uma bancada onde tudo cabia. Para rematar a perfeição, o chão era preto, brilhante. ...

sexta-feira, setembro 07, 2012

CARTA ABERTA

Tu que sentes mil coisas ao mesmo tempo, e depois apenas uma.
Tu que queres estar, viver, conhecer, descobrir, sentir, redescobrir, encontrar, e depois queres estar num sitio onde ninguém te veja, ou sequer sinta que estás lá.
Tu que não afastas de ti esse fantasma que te persegue, que te assombra as noites, os sonhos, e às vezes dias seguidos sem dar tréguas, mas que depois, num dia de sol radioso, achas que o fantasma tem carne e osso e que chegas facilmente para ele, que o controlas e até expulsas de perto de ti, apenas com um suspiro.
Tu que choras pelo que não foi, e pelo que achas que não será, mas que depois sabes que o que vai ser, só acontece porque tu estás lá para construir esse futuro, e que o que não foi, faz parte do teu passado e por isso foi, aconteceu, é real.
Tu que, no meio do teu EU, consegues ser vários - e nem todos "bonitos". Esse, serás sempre tu! 
Mas saber largar o que te faz sofrer, para abraçar o que te faz feliz, é o mais importante! 
E a felicidade são momentos, é um conjunto de muitos momentos felizes, e quantos mais conseguires reunir, mais feliz serás!
Mesmo continuando a sentir mil coisas ao mesmo tempo, e depois apenas uma. Ou a querer fugir da vida de vez em quando. Ou a sentires-te perseguido por esse fantasma de te come a alma. Mesmo assim, o que interessa são os momentos felizes que vives, que partilhas, que proporcionas. O momento em que superas a tristeza e a transformas num pronúncio de felicidade.
Eu?!? Eu luto para não deixar fugir os meus momentos felizes ....


quarta-feira, junho 06, 2012

A vida não pára ...
Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para...

Mas nós podemos parar a vida, podemos fazê-la ficar, parece que anda, dia após dia, mas na verdade a vida parou ... parou dentro de nós, as coisas ficam na mesma e, como quando somos apanhados numa corrente do mar, andamos, andamos, até achamos que estamos mais próximos da margem, mas na verdade não conseguimos sair do mesmo sitio. E no mar, para não morrermos, é urgente mudar a estratégia. É urgente deixar de nadar - que não nos leva a lado nenhum, apenas ao cansaço - e ir na corrente. É urgente deixar que o mar nos leve um pouco mais para o lado, para longe da influencia daquela corrente que nos prende. Só depois, quando, de facto, saímos um pouco do sitio onde estávamos é que devemos recomeçar a nadar. E aí a margem ficará mais próxima a cada braçada que damos.
O difícil é perceber, é distinguir entre a corrente que conseguimos vencer nadando, e aquela que nos exige a imobilidade. Essa pode ser a diferença entregue sair sozinho do mar, ou ter que ser agarrado por outros ...
Mas vida não pára ...
E ficarmos parados dentro dela é perder a vida que temos.

quarta-feira, maio 23, 2012

GOSTO

Prenda de uma amiga ... 
... as palavras também podem ser boas prendas, especialmente as que estão cheias de significados!!









segunda-feira, maio 14, 2012

9 de Maio de 2012

Porque um país sem cultura não tem futuro
Porque um país sem cinema não tem memória
Para todos os que se recusam a assistir passivamente ao seu extermínio, vamos projectar, ao ar livre, mais de 100 anos de cinema português.
Pela aprovação da nova lei do cinema!




Foi assim em São Bento!!
Pedaços da nossa história, pedaços de nós!!

segunda-feira, novembro 14, 2011

TEORIA VS. PRÁCTICA

Alguém em fúria não é bonito de se ver.
Qualquer estado alterado causa incomodo a quem está à volta e a fúria pode ser dos mais avassaladores de todos. É na fúria que mais longe da racionalidade nos encontramos, mas é também nesse estado de espírito, que menos somos animais. Os animais podem "não ter sentimentos" (que têm) e podem não saber  lidar com os outros sem que seja o seu instinto a dizer-lhes o que fazer, mas não agem sob a influencia da fúria. Selvagens, mas não furiosos.
A fúria projectada numa criança dá voltas ao estômago.
We should know better.
Um adulto não tem desculpa para se enfurecer - para se zangar - para além do razoável. Percebe-se no olhar e choro de uma criança - sujeita à fúria de um adulto que lhe é querido - que aquele estado que de repente lhe é atirado para cima, não é compatível com tudo o que ela conhece e compreende como emoções válidas. Também elas - as crianças - têm momentos de fúria, mas elas estão aprender o que fazer com aquilo que sentem, como lidar com as emoções, os estados de espírito, as alegrias, tristezas, conquistas e frustrações. Os adultos já deveriam saber fazê-lo!! Mas não sabem!!
Vê-se no transito e vê-se num pai (mãe, avô, avó - cuidador adulto) que se enfurece com uma criança.
Mas todos nós sabemos isto, e já ninguém (quase, pronto) discorda que as crianças são crianças e não adultos em ponto pequeno, e como tal devem ser tratadas de acordo com o estado de desenvolvimentos emocional e social em que se encontram. Então onde está a fronteira que impede que a práctica demonstre a teoria que todos temos interiorizada?!
Não sei, mas olhar para um pai furioso com o seu filho de 4/5 anos, dá voltas ao estômago, ainda mais quando sabemos que não podemos atirar pedras ...

segunda-feira, outubro 03, 2011

FUNÇÕES

Todas as coisas (vivas e não) têm uma função. 
As vivas têm uma função que lhes está destinada à partida. Mesmo que dela não tenham consciência ou que não lhes seja permitido cumpri-la, porque, por exemplo, estão num aquário, jardim zoológico ou semelhante, e ali toda a sua existência tem um outro objectivo e não aquele que lhes foi atribuído no equilíbrio perfeito da natureza. Claro que o ser humano também terá a sua função, mas essa, ou estamos a desempenhá-la, ou há muito que se perdeu e somos aquilo que o momento, a sociedade, a história, o que nos envolve, nos permite ser.
No caso das não vivas - objectos e outras coisas não "palpáveis" - a situação pode não ser tão "preta e branca". 
A função de cada coisa é também atribuída por quem dela usufrui. E a função de um mesmo objecto - ou de uma tal coisa não "palpável" - pode variar consoante o "mood" do seu utilizador.
Este raciocínio surge-me quando tento pensar na função deste blogue na minha vida.
Durante meses, anos, este era o local para a partilha. Partilha de emoções, descobertas,  pensamentos soltos, gostos, raivas, etc, etc. Agora a função deste espaço tem de ser repensada na minha mente.
Muitas dessas partilhas são agora feitas, de uma forma mais directa, imediata e até personalizada, através do Facebook. 
É lá que "digo ao mundo" que gosto de determinada música, ou que aquela noticia mexeu comigo. É lá que mostro as coisas que me emocionam ou os ridículos da vida que tantas as vezes nos passam em frente aos olhos.
Para que serve então este blogue?!?
Para partilhar algumas destas coisas com quem não me conhece e logo não tem acesso ao meu facebook?! Para pensamentos mais elaborados e profundos?!?
Não tenho essa resposta. Não sei qual a função que quero atribuir a este meu espaço. Não pode ser a mesma. Isso é inevitável. Mas terá de ser alguma, porque ele cumprirá um papel importante agora, tal como já o fez no passado.

sábado, setembro 24, 2011

RECOMEÇAR

recomeçar ... 
recomeçar pode trazer prazer e satisfação.
recomeçar pode inundar-nos de tristeza e angustia.
recomeçar pode ser o caminho, pode ser  inevitável, pode surgir de uma necessidade intensa.


Numa altura de recomeço, faz sentido retomar coisas que ficaram para trás. Perdidas, esquecidas ou que simplesmente deixaram de nos fazer sentido manter.
Numa altura de recomeço, faz sentido voltar aqui.


Alinhamento astral, poderes da parte inconsciente do cérebro que tudo sabe sobre nós, mesmo aquilo que pensamos não ser parte integrante do nosso ser, ou apenas uma grande coincidência?! Não sei responder ... nem sequer tento, mas não deixa de ser o suficiente para me fazer sorrir.
Volto a este lugar exactamente 2 anos desde o ultimo post


24 de Setembro de 2009
tinha acabado de ver uma peça de Teatro, onde estiveram envolvidas pessoas conhecidas, que me tinha trazido bons momentos, com um grupo de amigos.


24 de Setembro de 2011
regresso a casa depois de um concerto no Claustro do Mosteiro dos Jerónimos, onde tudo era novo - nenhuma das pessoas me dizia alguma coisa e confesso que, apesar de ter gostado, fui um pouco ao engano e aquilo não era exactamente o que eu esperava.


Mais uma coincidência?!? Dois acontecimentos culturais ... 


Recomeço!!!
Recomeço, numas coisas determinada e confiante; noutras insegura e num caminho mal iluminado.
Mas recomeço! 
Aqui e na vida!

quinta-feira, setembro 24, 2009

GOSTEI





Setembro

13 – Alter do Chão
16 a 20 e de 23 a 27 – Teatro Meridional – Lisboa

Outubro

1 a 3 – Teatro do Bolhão – Porto
8 e 9 – ACERT – Tondela
16 e 17 – Convento de Sto. António – Loulé
30 – Teatro Municipal de Bragança




Copyright RuiCarlosMateus Design_Cláudia Oliveira

quinta-feira, julho 23, 2009

RECOVERING MY MISSING PIECES

Sou! Sou, porque o concebo e porque o sinto?! Ou sou, porque toda a minha existência deixa marcas da minha passagem, marcas e memórias impressas nos que me acompanham e nos lugares por onde ando?!
Sou, pelo simples facto de ter nascido, ou sou, verdadeiramente, porque me dou ao mundo e recebo dele o que ele me oferece?!
Acredito que apenas com os outros, com aquilo que eles têm de nós, somos realmente.
A minha existência está povoada de pessoas e locais, muitos dos quais se mantêm presentes na minha vida. Mas se parte da minha vida fica presa nas minhas memórias, sem nada ou ninguém que o partilhe, é como se não existisse de facto. É como que um sonho que se teve, muito real, mas que só podemos descrever, não podemos reviver.

São peças que me faltam. Peças que completam o meu trajecto e que eu deixei fugir, sem perceber que as estava a deixar ir. Quando olhei para trás percebi que tinha uma parte de mim quesó eu vivi, ninguém à minha volta tinha essas memórias, essas vivências marcadas na vida. Era como que se essa parte deixasse de existir. Se não estava lá ninguém para “me confirmar”, como poderia eu ter sido aquela pessoa?!
Mas eu fui essa pessoa! Eu estive lá e deixei as minhas marcas! Construi as peças do caminho que me fez chegar até aqui!

São peças que me faltam, mas peças que estão lá. Peças que eu preciso de recuperar, para voltar a ser.

segunda-feira, maio 25, 2009

NEED I SAY MORE?

quinta-feira, maio 21, 2009

GOSTO

Going Back to the corner where I first saw you
Gonna camp in my sleeping bag I'm not gonna move
Got some words on cardboard, got your picture in my hand
saying, "if you see this girl can you tell her where I am"

Some people try to hand me money, they don't understand
I'm not broke I'm just a broken hearted man
I know it makes no sense but what else can I do
How can I move on when I'm still in love with you

Cuase If one day you wake up and find your missing me
and your heart starts to wonder where on this earth I could be
Thinkin maybe you'll come back here to the place that we'd meet
And you'll see me waiting for you on our corner of the street
So I'm not moving, I'm not moving

Policeman says, "son you can't stay here"
I said, "there's someone I'm waiting for If it's a day, a month, a year"
Gotta stand my ground even if it rains or snows
If she changes her mind this is the first place she will go

Cause If one day you wake up and find your missing me
and your heart starts to wonder where on this earth I could be
Thinkin maybe you'll come back here to the place that we'd meet
And you'll see me waiting for you on our corner of the street
So I'm not moving, I'm not moving,
I'm not moving, I'm not moving

People talk about the guy that's waiting on a girl
There are no holes in his shoes but a big hole in his world

Maybe i'll get famous as the man who can't be moved
Maybe you wont mean to but you'll see me on the news
And you'll come running to the corner
cuase you'll know it's just for you
Im the man who can't be moved

Chorus 2x

Going Back to the corner where I first saw you
Gonna camp in my sleeping bag I'm not gonna move

"The Man Who Can't Be Moved" - The Script

terça-feira, maio 19, 2009

COPIANDO

Não sei se já aprendi tudo isto ...


APRENDERÁS
Depois de algum tempo ...

... a diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
... que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
... que beijos não são contratos e que prendas não são promessas.
... a aceitar as tuas derrotas com a cabeça erguida e os olhos em frente, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
... a construir todas as tuas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em vão.
... que o sol queima se ficares exposto muito tempo.
... que, não importa o quanto te importes, algumas pessoas simplesmente não se importam ... E aceita que não importa o quanto uma pessoa seja boa, ela vai ferir-te de vez em quando e tu precisas de a perdoar.
... que falar pode aliviar dores emocionais.
... que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para a destruir... e que podes fazer coisas num instante das quais te arrependerás o resto da tua vida.
... que as verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tu tens na vida, mas quem tu tens na vida. E que os bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
... que não temos que mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam...
... que o teu melhor amigo e tu, podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem sempre bons momentos juntos.
*Descobres que as pessoas mais importantes para ti são levadas de ti muito depressa... por isso devemos sempre deixar as pessoas que amamos com palavras carinhosas, pois pode ser a última vez que as vejamos.
*Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
... que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que podes ser.
... que leva muito tempo para te tornares na pessoa que queres ser, e que o tempo é curto.
... que não importa onde já chegaste, mas para onde estás a ir... mas, se não sabes para onde estás a ir, qualquer caminho serve.
... que ou controlas os teus actos ou eles te controlarão... e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
... que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.
... que paciência requer muita práctica.
... que algumas vezes a pessoa que esperas que te chute quando cais é uma das poucas que te ajudam a levantar.
... que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e o que aprendeste com elas do que com quantos aniversários já celebraste.
... que há mais dos teus pais em ti do que tu pensavas.
... que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são parvoíces... Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
... que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
... que só porque alguém não te ama da maneira que tu queres, não significa que esse alguém não te ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
... que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém... Algumas vezes tens de aprender a perdoar-te a ti mesmo primeiro.
... que com a mesma severidade com que julgas, serás em algum momento condenado.
... que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que tu o consertes.
... que o tempo não é algo que possa voltar. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, em vez de esperar que alguém te traga flores.
... o que realmente consegues suportar... que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensares que não podes mais.
... E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor perante da vida!
*****Tens uma missão, nada acontece por acaso.
*****As nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar. 
William Shakespeare
PUBLICADA POR LUIS1970 EM 11:05